segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Velho Chico _ Ronaldo Fraga

Para muitos, o tema Rio São Francisco não é inspirador. Por estar tão em evidência no que permeia questões ambientais o assunto parece cansativo. Mas isso só ocorre quando fechamos os olhos para a cultura que o Velho Chico carrega em seu leito. Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga: Cultura Popular, Moda e História vem para nos mostrar essa bela vertente do rio. Usando materias simples, o famoso estilista remonta a cultura local com muita fidelidade e de forma criativa. A esxposição é interativa: há um espaço onde, através de um quadro-negro, pode-se deixar mensagens diversas; há a pescaria, típica de festas-juninas, onde cada peixe feito de papel carrega uma mensagem sobre o rio, e que só pode ser lida se o peixe for fisgado. A moda é bordada com poesia, e exprime muito da raiz cultural do lugar. Vídeos gravados com Wagner Moura, ator que viveu na região do Velho Chico, contam a história das cidades naufragadas. Cada detalhe da exposição conta alguma novidade...

Ronaldo Fraga

Moda com sutileza

Canudos e garrafas pet: criatividade!


A exposição ficará no Palácio das Artes até o dia 28 de Novembro. Ver a valorização do artesanal e do processo criativo de perto é imperdível!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Disse que me disse: Seattle Central Library _ Rem Koolhaas

Nascido em Roterdã em 1944, Rem Koolhaas é um dos poucos arquitetos conhecidos internacionalmente não só por seus projetos, mas também por seus livros. Em 1978, escreveu Nova York Delirante, um clássico da arquitetura contemporânea. Em 1995, veio o dito poderoso volume S, M, L, XL. Koolhass também coleciona títulos - ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, em 2010 e foi vencedor do Prêmio Pritzker, em 2001. Sendo um arquiteto nada convencional, a obra que melhor expressa sua complexidade, a meu ver, é a Biblioteca Pública de Seattle, projeto de 2004.

 Seattle Central Library

Treliças de sombras
Mobiliário e obra que conversam
Cores!
Mais cores!

Os onze andares do edifío parecem  flutuar em uma rede de aço coberta de vidro. Uma enorme escada rolante verde-limão quebra a sobriedade dos tom cinza da biblioteca. Os ambientes em vermelho parecem ter sido montados por Cildo Meirele. A singularidade está em todos os cantos.


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Fonte: Hanno Rauterberg - Entrevistas com Arquitetos
Josep Maria Montaner - As formas do século XX

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Areia com arte.

Fiesa - Algarve, Portugal
Obra exposta no Fiesa, Festival Internacional de Escultura em Areia.

Disse que me disse: Genius loci _ Huis Ten Bosch

Genius loci literalmente significa o gênio do lugar. O termo é usado para descrever lugares que são profundamente memoráveis por suas qualidades tanto arquitetônicas quanto experimentais. Quando vemos um prédio de tijolos vermelhos, com tulipas plantadas no jardim e moinhos ao fundo, associamos, quase que imediatamente, essa paisagem a algum bairro de Amsterdã. Apesar das aparências, não é da Holanda que estamos falando, e sim do Japão. A 40 minutos de trem de Nagasaki, encontra-se um parque temático  chamado Huis Ten Bosch Dutch Village, nome advindo das residências da família real holandesa. O espaço foi projetado para recriar, com surpreendente fidelidade, o clima da Holanda anterior ao século xx.

Huis Ten Bosch Dutch Village






Como se trata de um parque temático, as conclusões devem ser relativizadas, mas a questão pode ser levada para os diversos edifícios que são erguidos com a proposta óbvia de imitar alguma arquitetura típica. Não parece estranho os prédios negarem o ambiente oriental onde estão? A pequena cidade não fica parecendo apenas um "fake"? Será que as construções não deveriam falar das características do lugar onde estão, suas raizes, sua cultura, suas eras? Onde está o genius loci desse espaço? Ficam as perguntas.

Referências: Alain de Botton - A arquitetura da felicidade
Christian Norberg-Schulz - Genius loci: towards a phenomenology of architecture